Eu sempre me questionei quanto às teses de Émile Durkhein.
Ouvia teorias de solidariedade orgânica e mecânica como “a divisão do trabalho
e de outros setores é o que gera a união na sociedade.” Pô, como assim a
divisão gera a união? Como assim separar em setores pode unir algo?
Vejam vocês como a união é algo tão obscuro pra nós hoje:
qualquer grupo, por qualquer que seja a ideologia, é unido por 1 ou mais
pensamentos em comum e dez vezes mais pensamentos que divergem. No anarquismo,
por exemplo, você pode tentar reduzir todos os grupos anarquistas a um só,
rotulando um movimento inteiro sem considerar as especialidades e
características únicas de cada vertente. Não dá pra dizer que tudo se resume à
negar a coerção de qualquer instituição. Como é feita essa negação? Aqueles que
creem no anarcocapitalismo te darão uma resposta, bem como os que acreditam no
anarquismo verde, anarco cristianismo, etc.
Dentro de cada movimento também existirão divergências que
muitas vezes parecem desnecessárias. Exemplo: um grupo diz querer a revolução.
Parte dele a defende com o uso da violência, parte dele repudia o uso da
violência e defende a resistência pacífica. Parte dele dirá que a religião é o
ópio do povo, parte dele dirá que a religião é mais que necessária pra a
abertura interior de cada um.
Sendo assim, como é possível a união? Se eu julgo minha
perspectiva de mundo a certa e a melhor solução pros problemas à minha frente,
se acho que isso traz o bem comum, como a colocarei em prática se sempre haverá
uma oposição? Quantas vertentes de uma
organização política foram criadas diferentes da original? Melhor? Pior? Pra
quem? Posso unir-me a ti e tua visão de mundo hoje, mas depois dela ser
instaurada quem garante que ela não será distorcida conforme à sua, a minha ou
a uma terceira visão dela?
O mundo carece de união, é um fato. Mas se cada homem molda
a realidade a seu ver, como é possível uma igualdade ideológica? Como vamos nos
unir, se não concordamos nem no que é bem e comum a todos? Dizia Rousseau que devemos renunciar à nossa
liberdade pra um governo justo. Será que nossa liberdade é um preço bom pra
justiça? Que justiça seria essa? Será que renunciar à nossa liberdade vale a
pena, pra qualquer troca que seja?
Olha, eu não sei pra quão unida ou desunida nossa sociedade
caminha... Lutamos pela tal da igualdade, pela tal da união, mas eu espero que
isso se reduza à esfera social, política e econômica, pois, assim com li por aí
dia desses: “Se todo mundo pensar igual, ninguém está pensando.”
Seria o pensamento diferente e único de cada um o que nos une e nos move?
Seria o pensamento diferente e único de cada um o que nos une e nos move?
Talvez Durkhein tenha razão.

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