terça-feira, 11 de junho de 2013

E a união, onde fica?


Eu sempre me questionei quanto às teses de Émile Durkhein. Ouvia teorias de solidariedade orgânica e mecânica como “a divisão do trabalho e de outros setores é o que gera a união na sociedade.” Pô, como assim a divisão gera a união? Como assim separar em setores pode unir algo?

Vejam vocês como a união é algo tão obscuro pra nós hoje: qualquer grupo, por qualquer que seja a ideologia, é unido por 1 ou mais pensamentos em comum e dez vezes mais pensamentos que divergem. No anarquismo, por exemplo, você pode tentar reduzir todos os grupos anarquistas a um só, rotulando um movimento inteiro sem considerar as especialidades e características únicas de cada vertente. Não dá pra dizer que tudo se resume à negar a coerção de qualquer instituição. Como é feita essa negação? Aqueles que creem no anarcocapitalismo te darão uma resposta, bem como os que acreditam no anarquismo verde, anarco cristianismo, etc.

Dentro de cada movimento também existirão divergências que muitas vezes parecem desnecessárias. Exemplo: um grupo diz querer a revolução. Parte dele a defende com o uso da violência, parte dele repudia o uso da violência e defende a resistência pacífica. Parte dele dirá que a religião é o ópio do povo, parte dele dirá que a religião é mais que necessária pra a abertura interior de cada um.

Sendo assim, como é possível a união? Se eu julgo minha perspectiva de mundo a certa e a melhor solução pros problemas à minha frente, se acho que isso traz o bem comum, como a colocarei em prática se sempre haverá uma oposição?  Quantas vertentes de uma organização política foram criadas diferentes da original? Melhor? Pior? Pra quem? Posso unir-me a ti e tua visão de mundo hoje, mas depois dela ser instaurada quem garante que ela não será distorcida conforme à sua, a minha ou a uma terceira visão dela?

O mundo carece de união, é um fato. Mas se cada homem molda a realidade a seu ver, como é possível uma igualdade ideológica? Como vamos nos unir, se não concordamos nem no que é bem e comum a todos?  Dizia Rousseau que devemos renunciar à nossa liberdade pra um governo justo. Será que nossa liberdade é um preço bom pra justiça? Que justiça seria essa? Será que renunciar à nossa liberdade vale a pena, pra qualquer troca que seja?

Olha, eu não sei pra quão unida ou desunida nossa sociedade caminha... Lutamos pela tal da igualdade, pela tal da união, mas eu espero que isso se reduza à esfera social, política e econômica, pois, assim com li por aí dia desses: “Se todo mundo pensar igual, ninguém está pensando.”
 Seria o pensamento diferente e único de cada um o que nos une e nos move? 
Talvez Durkhein tenha razão.

Nenhum comentário :

Postar um comentário